Dra. Raphaela Garofo participa de um evento internacional de Cardiogeriatria no Peru

Nos dias 4 e 5 de setembro de 2025, Lima, no Peru, tornou-se o centro das discussões mais relevantes sobre o cuidado cardiovascular em idosos ao sediar o Precongresso de Cardiogeriatria – SUMMIT 2025.
O evento reuniu especialistas de diferentes países da América Latina para debater um dos maiores desafios da cardiologia contemporânea: o tratamento das doenças do coração em pacientes cada vez mais longevos, frágeis e com múltiplas comorbidades.
O congresso abordou decisões clínicas complexas, novas evidências científicas e, principalmente, a necessidade de um olhar mais humano e integrado para o cuidado do paciente idoso.
A presença brasileira no SUMMIT 2025
O Brasil marcou presença com a participação da Dra. Raphaela Garofo, cardiologista com atuação destacada em cardiogeriatria.
Esta foi sua primeira participação internacional como membro do grupo de trabalho em cardiogeriatria da SIAC (Sociedade Interamericana de Cardiologia), reforçando a importância da colaboração entre especialistas latino-americanos na construção de abordagens mais eficazes para o cuidado do idoso.
Por que a cardiogeriatria é tão importante?
Com o envelhecimento da população, procedimentos cardiológicos avançados, como a TAVI (implante de válvula aórtica por cateter), tornaram-se cada vez mais frequentes.
A TAVI é uma alternativa menos invasiva à cirurgia cardíaca tradicional e pode ser decisiva para pacientes idosos com estenose da válvula aórtica.
No entanto, a palestra ministrada pela Dra. Raphaela trouxe uma reflexão fundamental: nem todo paciente idoso se beneficia da mesma forma de um procedimento tecnicamente bem-sucedido.
Em muitos casos, mesmo após a correção do problema cardíaco, o paciente continua limitado, dependente ou com piora da qualidade de vida. Isso ocorre porque o coração não funciona de forma isolada, mas integra um organismo que envelhece como um todo.
É nesse contexto que a cardiogeriatria se torna essencial: avaliar o paciente de forma global, e não apenas o coração.
O tema da palestra
Durante o evento, a Dra. Raphaela apresentou a palestra:
“Decisões clínicas complexas no paciente idoso: como evitar a futilidade terapêutica no paciente multimórbido?”
A apresentação trouxe à discussão a importância de identificar, de forma precisa, quais pacientes realmente se beneficiam de intervenções cardiológicas.
Avaliação Geriátrica Integral: o paciente como um todo
De forma clara e baseada em evidências científicas, a Dra. Raphaela destacou que a decisão pela TAVI não deve se apoiar apenas em exames cardiológicos ou na gravidade da doença valvar.
É fundamental avaliar o paciente como um todo, por meio da Avaliação Geriátrica Integral, que considera aspectos como:
- grau de independência;
- capacidade de realizar atividades da vida diária;
- força muscular;
- estado nutricional;
- memória e cognição;
- número de medicamentos em uso, entre outros fatores.
Segundo a Dra. Raphaela, esses domínios são determinantes para prever se o procedimento trará benefícios concretos ou se os riscos podem superar os ganhos.
Fragilidade não é sentença
Outro ponto central da palestra foi mostrar que a fragilidade não deve ser encarada como uma condição definitiva.
Estudos recentes indicam que estratégias como suplementação proteica e programas de exercícios supervisionados antes e após a TAVI podem melhorar a capacidade funcional e a recuperação dos pacientes idosos.
Ao identificar precocemente os fatores de risco, é possível intervir antes do procedimento e aumentar significativamente as chances de sucesso.
Um novo olhar para a medicina do envelhecimento
A participação da Dra. Raphaela Garofo no SUMMIT 2025 reforça uma mensagem essencial para a medicina contemporânea:
tratar o coração do idoso é, antes de tudo, cuidar da pessoa como um todo.
Mais do que realizar procedimentos, a cardiogeriatria propõe decisões conscientes, individualizadas e alinhadas ao que realmente importa para o paciente: viver mais e viver melhor.




